Quarta-feira, 23 de setembro de 2026 · São Paulo

Vale (VALE3): JPMorgan vê alta nos fretes como oportunidade de compra

Banco avalia que a mineradora está protegida por contratos de longo prazo e que o cenário atual de custos elevados de transporte é insustentável.

O JPMorgan avalia o atual choque nos custos de frete como uma oportunidade de compra para as ações da Vale (VALE3), e não como uma alteração estrutural na base de custos da mineradora. Segundo a instituição financeira, a vantagem de custo de frete da companhia brasileira em relação aos concorrentes expostos ao mercado spot na rota Brasil–Ásia atingiu o maior nível em anos. Ao mesmo tempo, o banco aponta que a combinação de minério de ferro cotado abaixo de US$ 100 por tonelada com fretes elevados tende a se mostrar insustentável.

Recentemente, o frete de navios da categoria Capesize disparou para as máximas de vários anos. O indicador de referência Tubarão-Qingdao (C3) alcançou US$ 43 por tonelada, praticamente o dobro dos cerca de US$ 20 registrados em janeiro deste ano. No início de setembro, a taxa estava em torno de US$ 38 por tonelada, acumulando uma alta de 57% em 12 meses. Essa disparada é impulsionada por custos de combustível mais altos decorrentes de conflitos geopolíticos, rotas marítimas alongadas e oferta restrita de embarcações.

Para o JPMorgan, a Vale encontra-se particularmente protegida contra essa volatilidade devido à estratégia de fretes desenvolvida nas últimas décadas. A empresa migrou de uma estrutura de frota própria para o programa Valemax e, posteriormente, para um modelo asset light, no qual vendeu seus navios e passou a assegurar capacidade dedicada por meio de contratos de transporte de longo prazo.

A administração da mineradora confirmou ao banco que entre 70% e 75% de seus volumes de transporte estão protegidos por contratos de longo prazo a cerca de US$ 19 por tonelada — ou aproximadamente US$ 23 por tonelada atualmente, quando considerado o custo do combustível. O valor é significativamente inferior aos cerca de US$ 43 por tonelada cobrados no mercado spot.

Para o ano de 2027, estimando que 15% dos fretes da companhia permaneçam expostos ao mercado spot, o JPMorgan projeta uma exposição residual de aproximadamente US$ 1 bilhão. Esse montante equivale a cerca de 6% do EBITDA projetado de US$ 17,2 bilhões para o período. Na visão do banco, o impacto é considerado administrável e insuficiente para alterar a tese de investimento na Vale.

O banco destaca ainda que o cenário de minério de ferro abaixo de US$ 100 por tonelada e fretes elevados já pressiona produtores brasileiros de maior custo. Com a eventual saída dessa oferta marginal, o mercado deve buscar reequilíbrio por meio de menor demanda por transporte, redução na oferta de minério, queda nos fretes, recuperação dos preços da commodity ou uma combinação desses fatores. Nesse contexto, a Vale é vista em posição favorável, pois seus contratos limitam a exposição à alta dos transportes, enquanto a qualidade de seu minério ajuda a preservar as margens de rentabilidade.

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